Que braseiro, que fornalha…

…nem um pé de plantação! A música “Asa Branca”, de Luiz Gonzaga, é um hino brasileiro da seca no nordeste. Mas serve hoje para evidenciar a situação a que foi relegada a Floresta Amazônica, o cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal e outros biomas protegidos pela Constituição.

O “liberou geral” do Ministério do Meio Ambiente atiçou a delinquência que partiu para o ataque. Nunca se queimou tanto verde como neste fatídico 2020. O ano da peste será também o ano da devastação. Triste sina de um Brasil que prometeu singular e pioneira tutela da ecologia, quando recebeu os demais países para a Eco92 e já podia mostrar uma lei fundamental com o mais belo dispositivo produzido naquele século: o artigo 225 da Carta Cidadã.

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Enquanto isso, o mundo civilizado protesta. Fundos trilionários que investem nos países que ajudam a coartar os efeitos das mudanças climáticas enviam advertência a várias embaixadas brasileiras no exterior, evidenciando sua preocupação com a destruição ambiental.

A Europa, berço da civilização ocidental, adota o “selo verde” para a atividade econômica. A meta é satisfazer a cinco objetivos: 1. Redução das mudanças climáticas ou adaptação a elas; 2. Uso sustentável e proteção dos recursos hídricos e marinhos; 3. Transição para a economia circular; 4. Prevenção e controle da poluição; 5. Proteção e restauração da biodiversidade e dos ecossistemas.

Aqui, o sucesso do agronegócio, que garantiu a balança comercial e não permitiu que o país fosse à falência, poderá ser violentamente afetado quando os países sérios deixarem de comprar a produção de um Brasil que não respeita o ambiente. E daí? Qual será o discurso dos “desenvolvimentistas” que preferem saquear o patrimônio natural e dizimar com o tesouro gratuitamente oferecido ao nosso povo pela Providência?

O mundo poluído e propiciador de pestes, como a Covid19, não está apenas contaminado física e biologicamente. Está contaminado pelo vírus da ganância, do egoísmo e da ignorante postura daqueles que exterminam o futuro brasileiro, antes mesmo que suas gerações conheçam a exuberância de sua biodiversidade.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

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