Desespero da Bandidagem

O Brasil convulsiona. O Brasil não aguenta tamanha ilegalidade. O Brasil chora desoladamente a perda de um grande estadista brasileiro que retirou milhões de pessoas da miséria e foi colocado no xadrez, vitimado por uma torpe armação judicial.

Afinal, retirar do convívio social (segundo o Direito Penal, uma das funções da pena) um ladrão de pobres não é coisa que se faz, segundo a constitucionalista de nomeada Gleise Hoffman.

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Pode parecer piada de bêbado ou ironia das mais porcas, mas não: é assim que se posiciona a mentalidade de alguns poucos que viram a ideologia do atraso, do “roubar para os pobres”, ruir – assim como contas em paraísos fiscais, dinheiro grosso irrigando campanhas mentirosas e toda sorte de pecados capitais levados a cabo pela elite do país – aquela que eles mesmos, cínicos, diziam combater.

Em verdade, atiram, no desespero, contra o magistrado que mandou para cadeia um psicopata-ladrão que transformou o velório da esposa num comício dos mais reles e que transformou o país num puteiro político onde a sem-vergonhice imperou por muitos anos. Não é só o sítio ou o tríplex; são os costumes instaurados.  É a desfaçatez como meio de ação. É a falta de vergonha na cara elevada à última potência.

Não é se fazer apologias de ilegalidades processuais, mas enquanto alguns falavam em “matar pessoas antes que se fizessem delações”, ou qual seriam as percentagens roubadas das estatais; o juiz insinuava estratégias para se capturar o “capo” e acabar com a farsa.

Enquanto muitos por aí, como o jornalista Reinaldo Azevedo, pego num grampo para lá de amistoso com a irmã de Aécio Neves, enfartam com a possibilidade de se destruir a quadrilha que empobreceu o país e instaurou um totalitarismo do tipo “nós é que somos a lei”, os atores judiciais responsáveis pela Lava-Jato queriam apenas cumpri-la: corrupção não pode, roubar o povo também não. O recado foi dado pela Operação. A mamata farsesca do Governo pelos pobres foi quebrada por um grupo de jovens bem-intencionados.

O lugar desta gente de péssimos hábitos morais não é dando lição de direito processual, nem obediência a direitos fundamentais, e sim apodrecer na cadeia até que aprendam que roubar gente humilde não é normal, não é lícito, é contrário à lei.

Irregularidades processuais ou comportamentos atípicos de atores judiciais serão resolvidas também dentro de processos, em instâncias próprias; mas esquadrilhar-se, um partido, seis ou sete gângsteres do alto empresariado e alguns políticos “progressistas” só tem um meio de resolução: cadeia brava.

A pretexto de quererem destruir as cartas, não atirem contra o carteiro.

É feio e imoral.

Gustavo Miquelin Fernandes

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