Debaixo do tapete

Um velho simbolismo fala em “esconder a poeira embaixo do tapete”. Essa prática é comum na dissimulada parcela da humanidade que tem problemas com o enfrentamento da verdade. Agora o Brasil se excedeu. Está escondendo defuntos sob o tapete. É a tentativa pueril do Ministério da Saúde, ocultar os verdadeiros números dos óbitos para dar a impressão de que o Brasil do desgoverno administrou bem a pandemia.

O mais incrível é verificar a cegueira ou a deliberada má-fé dos fanáticos, sempre à procura de uma justificativa para a insanidade.

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Já ouvi de muitos a denúncia de que agora tudo é Covid19. A pessoa morre de enfarte, de câncer, de AVC e tudo vai para o mesmo balaio da peste.

Quem é que não levou em consideração a circunstância de que hospitais repletos com os contaminados pelo novo coronavírus, impedem o tratamento de outras enfermidades? Portanto, a “gripezinha” ou “resfriadozinho” que só se prestaria a aliviar a Previdência Social, levando todos os velhos, está também fazendo morrer outros seres humanos.

Os que são candidatos a melhorar as contas do INSS hão de se lembrar, como eu, do FEBEAPÁ, inesquecível criação de Stanislaw Ponte Preta, que numa certa época veio a colecionar as tolices proferidas nas altas esferas governamentais. Era o Festival de Besteiras que assola o País.

Se ele estivesse aqui, os volumes hoje formariam uma coleção, uma série interminável, uma verdadeira Enciclopédia de sandices.

Mas o trágico é que em nome de interesses muito particulares, pessoas escolarizadas e que integram a bolha mínima dos privilegiados, sustentam o que há de mais infame, tosco, desarticulado e cruel, na sanha de manter o país dividido e rumo ao abismo. Morrem dezenas de milhares. E daí? Todos um dia morrerão. Mas é correto deixem a vida por incúria, incompetência, irresponsabilidade e descaso?

Os mortos que são empurrados para debaixo do tapete se convertam em companhia inseparável dos que os condenaram ao esquecimento e venham cobrar, de forma incessante, se recobre o juízo, a sensatez, a ética, a compaixão e o amor pelo próximo. Tudo isso em falta no Brasil de nossos dias.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2019-2020.

 

 

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